Friday, 20 September 2013

Selvagens - Capítulo 281° ao 290°

Bom meninas, demorou mas saiu...
Esse é o final do livro "Selvagens".

Selvagens (Savages)

Don Winslow





281

Lado faz uma Bruxa Má do Oeste.
Derrete na frente de Dorothy O. enquanto
Ben se lança à frente, a derruba e a pressiona contra o chão enquanto veem Lado fazer uma dancinha esquisita
Pés leves para um homem grande, como dizem, ele recua na ponta dos pés até seu carro, como se ainda achasse que pode se safar e sair disso dirigindo, mas então tropeça nos próprios pés e cai de cara no capô, depois escorrega, seu sangue deixando uma mancha na pintura preta reluzente.
Um atirador sai da escuridão, o agarra pelos cabelos e puxa o pescoço para trás.
O facão é um brilho prata à luz da lua.


282

Então vem o silêncio.
A não ser por Magda, gritando sob a mordaça, indo aos tropeços até os braços da mãe.
Que diz
— Matem-nos.


283

O mundo irrompe em fogo.
Ben aperta O. ainda mais contra o chão, mas ela consegue sair dali e
Sai aos trancos e barrancos pelo deserto, apanha do chão a pistola de Lado e começa a atirar, e então Ben
Começa a atirar enquanto


284

Um fuzil embalado na frente do corpo, o outro pendurado às costas, Chon se arrasta de bruços na direção de Ben e O., atirando enquanto avança. Aponta para cada brilho de disparo, e os sicarios não sabem atirar e se deslocar ao mesmo tempo.
Flashback.
Emboscadas noturnas no Istão, mas
Ele sabe que agora está lutando por Ben e O.
Eles são
Seu país.


285

De repente, silêncio.
Cautelosamente, Chon se ergue para ver Banhada pela luz da lua, Elena sentada no chão, as costas apoiadas na grade do Land Rover. Dois sicarios mortos, tiros precisos nas testas, deitados ao lado dela como cães de guarda adormecidos.
Elena chama:
— Magda! Magda!
Chon vê a garota tropeçar em espinheiros e arbustos, tentando sair dali.
Ele pensa, teremos tempo para cuidar dela mais tarde.
Ele aponta o fuzil para a cabeça de Elena.
Ela ergue os olhos para ele e diz:
— Vá em frente. Você já matou meu filho.
O. está de pé junto ao ombro dele.
O sangue — negro à luz prateada — escorre por seu braço tatuado como uma cachoeira na selva. Corre da boca da sereia e passa pelas algas marinhas.
Chon tenta erguer a arma, mas seu ombro ferido não permite. O braço fica dormente e o fuzil cai na terra.
Diz:
— Não consigo.
Elena sorri para O. E diz:
— Está vendo, m’ija? Está vendo o que são os homens?
O. apanha o fuzil caído de Chon.
Diz:
— Eu não sou a piranha da sua filha.
E aperta o gatilho.

286

Chon alcança Magda, que, em choque, vai tropeçando pelo deserto; ele agarra seu pulso.
Ele sabe o que tem que fazer para que eles possam escapar. Todos os três sabem — se deixarem a garota viva, vão ter que fugir esta noite e nunca mais poderão voltar para casa.
Chon olha ao redor.
O. balança a cabeça.
Ben faz o mesmo.
Chon arranca a fita da boca da garota, depois dos pulsos. Ele a empurra na direção do Suburban.
— Some daqui. Some daqui agora.
Ela cambaleia na direção do carro. Alguns segundos depois o carro sai da terra derrapando e pega a rodovia.
Chon anda até Ben e O.
Bem no instante em que Ben
Desmaia.


287

Chon ajoelha ao lado dele, vira Ben com o máximo de cuidado que consegue, mas Ben grita de dor.
Abrindo a jaqueta de Ben, Chon vê e sabe.
Pega a morfina e a seringa do próprio bolso.
Ele acha uma veia no braço de Ben e injeta.


288

O. pergunta:
— Ele vai morrer mesmo assim, não vai?
— Vai.
— Não quero deixá-lo.
— Não.
Chon quebra outra ampola e enche a seringa. O. oferece o braço. Chon acha uma veia e injeta.
Então repete o processo em si mesmo.


289

O. deita e passa os braços ao redor de Ben.
Ele se recosta contra a barriga quente dela.
— Você ia gostar da Indo — murmura ele.
— Aposto que ia.
O. acaricia o queixo dele. O cálido e suave Ben. Ela diz:
— Me conte como é lá.
Sonhadoramente, Ben conta a ela sobre praias douradas margeadas por um colar esmeralda de selva. Fala sobre a água tão verde e azul que apenas um Deus doidão poderia ter sonhado com aquelas cores. Conta sobre pássaros malucos e coloridos que, empolgados com o nascer do sol, cantam riffs de Charlie Parker; sobre homenzinhos marrons e delicadas mulheres marrons com sorrisos tão brancos e puros quanto o inverno, e corações idem. Sobre poentes de fogo suave, quentes mas sem queimar, noites negras de cetim iluminadas apenas pelo brilho das estrelas.
— Parece o paraíso — diz ela. E depois: — Estou com frio.
Chon se deita atrás de O. e a aperta. O calor de seu corpo é gostoso. Ele passa o braço por cima dela e segura a mão de Ben.
Ben aperta com força.


290

O. escuta os sons em sua cabeça.
Ondas quebrando suavemente sobre cascalho.
Ouve as batidas do próprio coração, e as de seus homens.
Com força, mas desacelerando.
Quente, agora, no ventre de seus dois homens.
O.

Vamos viver na praia e comer os peixes que apanharmos. Colheremos frutas frescas e subiremos em coqueiros. Dormiremos juntos em esteiras de palha e faremos amor.
Como selvagens.
Belos, belos selvagens.


FIM

No comments:

Post a Comment

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...