Monday, 26 August 2013

Selvagens - 251° a 260° Capítulo


Savages (Selvagens)

Don Winslow




251

O IC 1459 deu muitas coisas a Dennis ao longo dos anos.
Ajudou a apanhar dois dos irmãos Lauter e colocá-los na cadeia. Colocou alguns pelos no esfregão com o qual Dennis tentou conter o oceano de drogas que vinha do Cartel de Baja.
Em troca, Dennis o recompensou com um Green Card
Proteção
Uma Nova Identidade.
Agora Lado telefona para lhe dizer algo que ele já sabe: Elena Sanchez Lauter está a caminho de uma “casa segura” no deserto.
Ele dá a Dennis a localização exata.
Será que a idiota acha que ele estava preparando o terreno para ela? Os anos de trabalho, de mortes, para ela e não para si mesmo? Sim, Sua Majestade. Sí, Elena La Reina?
Então a DEA vai prender Elena, e ninguém poderá culpar Lado. E ninguém vai querer que o filho frouxo assuma seu lugar, então não haverá outra pessoa em quem pensar a não ser ele. E ele fará uma proposta de paz a El Azul — dividir a plaza americana meio a meio.
Azul não vai recusar.
O jogo tá no papo.


252

Dennis entra no carro.
— Eles estão com a garota — diz Ben.
— Quem?
— A garota que você viu com a gente — diz Chon. — Vão matá-la.
Ben diz:
— Elena Sanchez Lauter tem uma filha, Magdalena. É estudante em Irvine.
— Meu Deus, Ben.
— Onde ela está?
— Você está maluco? — pergunta Dennis.
— Sim — responde Ben. — Diga onde encontrá-la.
Dennis olha para a própria barriga. Quando ergue os olhos, estão marejados.
— Estou com eles, Ben. É coisa grande. Seis dígitos.
— Que merda, Dennis.
— Que merda mesmo, Ben.
— Onde está a filha?
— Meu Deus, Ben, eles vão matar minha família.
— Eu lhe dou dinheiro — diz Ben. — Você foge com a sua família esta noite. Mas você vai me contar.
Dennis pensa nisso por um segundo, depois sai do carro.
O Metrolink rumo norte se aproxima, vindo de Oceanside. O trem do qual você pode ver golfinhos e baleias, pelas janelas que dão para o mar.
Ele anda até a estrada.
Ben pula do carro.
Tarde demais.
Dennis pisa nos trilhos.


253

— Ela tem que morar em algum lugar — diz Chon.
Ah se tem.
Eles repassam novamente a lista de imóveis de Steve.
Um apartamento em Irvine.
MapQuest.
A três quarteirões do campus.


254

Truísmo.
Clichê.
Você se torna aquilo que odeia.
Ben diz:
— Você sabe o que temos que fazer.
Chon sabe.


255

O homem de Lado sai do carro no estacionamento do prédio de Magda.
Pop-pop.
Chon enfia duas balas silenciadas na sua nuca e depois o coloca de volta no carro.
A guerra das drogas chega a Irvine.


256

Magda prepara uma xícara de chá verde.
Quer ficar mais ligada, mas está sem café, e, de todo modo, chá é mais saudável.
Antioxidantes e tal.
A campainha toca.
Ela não sabe quem pode ser, e fica um pouco irritada, porque o que deseja neste exato instante é colocar os pés para cima, tomar seu chá e ler cem páginas do livro de Insoll para a matéria de arquitetura e religião.
Deve ser Leslie, aquela piranha preguiçosa, aparecendo para pegar as anotações de Magda emprestadas. Se a puta conseguisse acordar de manhã para ir à aula…
— Leslie… Meu Deus…
Magda abre a porta, e o cara está em cima dela, uma das mãos em sua boca, a outra atrás do pescoço empurrando-a para trás, até o sofá. Ela ouve a porta fechar e vê um segundo cara entrar, e ele coloca uma arma na lateral da sua cabeça.
Ela balança a cabeça, tipo, levem o que quiserem, façam o que quiserem. Graças a Deus o cara coloca a arma de volta na cintura, mas então pega uma seringa e agarra o braço dela, enrola a manga de sua blusa de seda preta e enfia a agulha na sua veia.
Então ela apaga.


257

Lado para em frente à casa e salta.
Esteban abre a porta.
O mierdita parece ter chorado.
Lado passa por ele e entra no quarto onde estão mantendo a putinha loura. Ela vê sua cara e sabe. Sabe e começa a correr, mas ele dá um tapa em seu rosto, a agarra pelo pulso e a arrasta para o outro quarto. Enfia sua bundinha na cadeira, tira o próprio cinto e amarra as mãos dela atrás. Ela está esperneando e berrando.
Lado grita:
— Me ajuda, pendejo. Segura das pernas dela, porra.
Esteban continua a chorar, mas faz o que lhe é ordenado. Ele agarra os pés dela e segura enquanto Lado apanha a fita adesiva e a força na boca de O. Depois se agacha e a passa em volta dos tornozelos dela e as pernas da cadeira.
— Fica tranquila, chucha — diz ele. — Suas pernas vão ser escancaradas mais tarde.
Pode contar com isso.
Ele se levanta, e Esteban está com uma arma apontada para ele.


258

Quando Magda acorda, ainda grogue, vê que eles a amarraram com fita adesiva.
Está em um quarto de hotel de beira de estrada.
Um laptop está na mesa de centro em frente a ela, o olhinho vermelho da câmera piscando, e ela acha que é alguma espécie de estupro pervertido pela internet, e, caso seja, ela quer que simplesmente acabem logo com isso e não a matem.
Mas nenhum dos homens tira as roupas, nem sequer abre a calça jeans.
Um começa a digitar algo no teclado, o outro
Saca a arma novamente e coloca uma bala na agulha.


259

— O que você vai fazer com isso? — pergunta Lado.
Esteban, o merdinha, as mãos dele estão tremendo. Isso lembra a Lado o carro velho que eles tinham quando ele era criança. Quando o motor era ligado, o carro inteiro sacudia e chacoalhava, e é assim que as mãos de Esteban estão agora.
— Solta ela — diz Esteban e então Lado sabe que não corre perigo algum, porque aquele garoto não escutou quando ele disse que quando você saca uma arma você aperta o gatilho você não ameaça nem fala você puxa o gatilho


260

— Fique on-line — diz Ben.
Porra, fique on-line, Lado.

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