Saturday, 6 July 2013

Selvagens - 61° ao 70° Capítulo


Selvagens (Savages)

Don Winslow




61

É o malportamento.
Seu apontamento.


62

O. está em…
South Coast Plaza.
Meca e Medina do consumismo de South Orange County, onde peregrinos do varejo prestam homenagens em uma multidão de santuários:
Abercrombie & Fitch, Armani, Allen Schwartz e Allen Edmonds, Aldo, Adriano Goldschmied, American Eagle e American Express, Ann Taylor e Anne Fontaine 
Baccarat, Bally, Balenciaga, Bang & Olufsen, Bank of America, Banana Republic (não dá para inventar essa merda) 
Bloomingdale’s, Borders, Brooks Brothers. Brookstone, Bulgari
Caché, (falando nisso) Cartier, Céline, Chanel, Chloé, Christian Dior
Claim Jumper
De Beers, Del Taco (que diabo isso está fazendo aqui), Disney Store, DKNY, Dolce & Gabbana
Emilio Pucci, Ermenegildo Zegna, Escada
Façonnable, Fendi, Fossil, Fresh (não, sério)
Godiva, Gucci, Guess
Hermès, Hugo Boss
J. Crew, J. Hill, Jimmy Choo, Johnston & Murphy, Justice (hã-hã)
La Perla, Lacoste, Lalique, Limited (sem ironia)
Louis Vuitton
Macy’s, McDonald’s (ver Taco, Del), Miu Miu (que porra é essa?), Montblanc
New Balance, Nike, Nordstrom
Oilily, Optica, Origins, Oscar de la Renta
Piaget, Pioneer, Porsche Design, Prada, Pure Beauty (aham)
Quiksilver (o surfe se vende; ambiguidade intencional)
Ralph Lauren, Rangoni Firenze, Restoration Hardware, Rolex, Room and Board (novamente, sem ironia)
Saks, Salvatore Ferragamo, Sassoon, Sears (Sears?), Smith & Hawken, Sony, 
Sunglass Hut, Sur La Table, Swatch
Talbots, Teen Vogue, The Territory Ahead, Tiffany, Tinder Box
Valentino, Van Cleef, Versace, Victoria’s Secret, Victoria’s Secret Beauty
Wahoo’s Fish Taco (ver “o surfe se vende”), Williams-Sonoma, Wolfgang Puck
Yves Saint Laurent
Zara
E uma série de santos menores.


63

O. é uma das adoradoras.
Comungaria todos os dias se tivesse dinheiro para isso. Já dissemos que ela adora fazer compras? Já dissemos que é muito possível que essa garota viva para comprar?
Não estamos falando mal de O.; ela mesma diz isso.
— Faço compras porque não tem mais nada para fazer — disse ela a Ben certa vez após estourar o cartão. — Não tenho emprego, nenhum interesse sério, nenhum objetivo na vida, de verdade. Então eu compro coisas. É algo que eu posso fazer, e faz eu me sentir melhor.
— Você está preenchendo o vazio interior com coisas externas — disse Ben.
(Bundista hipócrita.)
— Lá vem você — disse O. — Eu não me adoro, então eu me adorno.
— Você não pode substituir o amor do seu pai ou conseguir a aprovação da sua mãe sufocante com aquisições materiais — apontou Ben.
(O irritante filho de dois psicoterapeutas.)
— Foi o que o meu analista pago disse — reagiu O. — Mas não estou conseguindo localizar a Butique do Amor do Pai Ausente e da Aprovação da Mãe Sufocante. Qual delas é?
— Todas — respondeu Ben.
O. troca de terapeuta como algumas pessoas mudam o cabelo. Bem, como O. muda o cabelo. E ela repetiu toda a lenga-lenga para cada analista: como Rupa se sente culpada por não ter dado à sua garotinha um lar estável, então tenta compensar isso apoiando-a e ao mesmo tempo incapacitando-a ao permitir seu blá-blá-blá; como Rupa fica apavorada com a ideia de envelhecer e então tem que manter a filha dependente como uma criança, porque ter uma filha verdadeiramente adulta significaria que ela está velha blá-blá-blá, então…
— A culpa é da Rupa — disse O. a Ben.
— É culpa da Rupa, mas a responsabilidade é sua — respondeu Ben.
(Moralista paternalista.)
Ele tentou. Propôs a O. abrir um pequeno negócio para ela, mas O. não está interessada em nenhum negócio. Ele disse que a apoiaria caso ela tentasse arte, fotografia, música, teatro, cinema, mas O. não tem qualquer paixão por nada disso.
Ben até mesmo a convidou para fazer um trabalho voluntário com ele no exterior, mas…
— Isso é você, Ben. Não eu.
— É muito recompensador se você conseguir tolerar a ausência de confortos físicos.
— Eu não consigo.
— Você poderia aprender.
— Talvez — disse O. — Como são as lojas em Darfur?
— Um lixo.
— Entendo… — disse O., olhando para o próprio reflexo na vitrine da loja. — Eu sou a pessoa que uma pessoa como você deveria odiar, Ben. Mas você não me odeia porque eu simplesmente sou um amor. Tenho um grande senso de humor pervertido, sou leal como um cão, tenho um rosto bonitinho e peitinhos pequenos mas arraso na cama, e você também é um cão leal, B., então você me adora.
Ben não teve argumento.
Tudo muito preciso.
Em outra época, O. achou algo em que poderia investir.
Como uma carreira.
— Legal — disse Ben. — O quê?
O maldito suspense acabando com ele.
— Estrela de reality show — disse O. — Eu poderia ter meu próprio reality show na TV.
— Sobre o que seria o programa?
— Sobre mim — disse O., tipo, dã.
— Sim, eu sei, mas o que você faria no programa?
“Fazer”, tipo, como um verbo.
— As câmeras me seguiriam o dia inteiro — disse O. — Eu sendo eu mesma. Seria como a Laguna Beach Verdadeira de Verdade. Uma Garota Tentando Não Se Tornar Uma Verdadeira Dona de Casa de Orange County.
(O. mais de uma vez sugeriu que eles fizessem um programa sobre sua mãe e as amigas dela, As Verdadeiras Bocetas das Donas de Casa de Orange.)
— Mas o que você faria o dia inteiro? — perguntou Ben. Ele ao menos sabia que as equipes de gravação não iriam se queixar de acordar cedo em todo o caso.
— Você realmente é um desmancha-prazeres, Ben.
Entre outras coisas que eu faço, eu dou para você, não é mesmo?
— Certo, qual seria o nome do programa?
Novamente…
Dã…
O.


64

Agora O. saca o cartão black de Rupa e o espanca como um dançarino em um show da Madonna. Então vai até José Eber e usa o nome da mãe para marcar uma hora para corte, tintura e escova. Depois disso, vai fazer um tratamento para o rosto no spa e dar uma retocada na maquiagem.
Um Pacote de Estímulo Pessoal.


65

Ben e Chon vão para as redes de voleibol em Main Beach, junto ao velho hotel Laguna.
Imaginam que possa ser bom bater uma bolinha. Aliviar a raiva, clarear a cabeça, ajudá-los a decidir o que fazer.
Aquele momento básico do Lutar x Fugir.
Adivinha quem escolhe o quê?
— Por mim, devolveríamos Alex e Jaime em uma caixa de cereal — diz Chon, caso você não tenha adivinhado.
Levantada, cortada, ponto.
— Por mim a gente só passava um tempo fora.
Defesa.
— Em que lugar eles não achariam a gente?
Defesa.
— Eu conheço uns lugares.
Defesa.
Ben conhece. Existem dezenas de aldeias no Terceiro Mundo distante onde eles poderiam se esconder e passar um tempo bacana, mas o que ele tem em mente mesmo é uma adorável aldeia em uma ilha da Indonésia chamada Sumbawa.
(Onde eles poderiam ficar bem quietinhos.)
Praias limpas e matas verdes.
Pessoas gentis.
Chon diz:
— Se você começa a correr, não para nunca.
Ponto.
— Deixando de lado os clichês de filmes ruins — retruca Ben —, correr é divertido e faz bem para o sistema cardiovascular. Não deveríamos parar nunca.
Defesa.
Chon não está disposto a desistir.
— Tem uns caras da minha equipe antiga por aí. E mais alguns que eu conheço.
Custaria algum dinheiro…
Defesa.
— E só prolongaria o inevitável — corta Ben. — Eles não podem nos obrigar a fazer nada se não estivermos aqui e se não conseguirem nos encontrar. Sumimos por algum tempo. Quando estivermos cansados de viajar, eles provavelmente já vão ter matado uns aos outros e vamos ter que negociar com outras pessoas.
Ponto.
Chon deixa a bola na areia.
Ben nunca vai entender.
Ele acha que está sendo Ben-evolente, quando na verdade não está fazendo um favor aos inimigos, está lhes desagradando. Porque…
… lição aprendida em I-Rock-and-Roll e Istãolândia…


66

Se deixar que as pessoas acreditem que você é fraco, mais cedo ou mais tarde você vai ter que matá-las.


67

O patrón do Cartel de Baja concorda com Chon nisso.
Só que o patrón do CB na verdade é uma matrón.


68

Quando Elena Sanchez Lauter assumiu a liderança do Cartel de Baja, muitos dos homens imaginaram que, por ser mulher, ela fosse fraca.
A maioria desses homens está morta hoje.
Ela não queria, mas teve que matá-los, e se culpa por isso. Porque ela permitiu que o primeiro homem a desrespeitá-la se safasse. E o segundo, e o terceiro. Rebeliões, brigas e guerras internas começaram logo depois. Os dois outros cartéis — de Sinaloa e do Golfo — começaram a invadir seu território. Ela culpou todos eles pela violência crescente.
Foi Miguel Arroyo, “El Helado”, que a ajudou a se firmar.
Lado disse a ela com sinceridade:
— Você deixou as pessoas pensarem que não tem problema desafiá-la, que não vai acontecer nada. Portanto, você é responsável pelo banho de sangue e pelo caos. Se tivesse exibido a cabeça daquele primeiro homem em um poste, seria temida e respeitada.
Ela sabia que ele dizia a verdade. Aceitou a responsabilidade.
— Mas o que eu faço agora? — perguntou ela.
— Deixa comigo.
Ela deixou.
Diz a história que Lado foi direto a um bar de Tijuana de propriedade de um narcotraficante chamado “El Guapo”. Lado sentou-se à mesa com seu velho camarada, tomou meia garrafa de cerveja e então disse:
— Que tipo de homens somos nós que deixamos uma mulher no comando?
— Talvez você deixe — disse El Guapo. Ele olhou ao redor, para seus oito ou nove guarda-costas. — Mas aquela puta pode chupar meu pau.
Lado atirou na barriga dele.
Antes que os chocados guarda-costas pudessem reagir, entraram dez homens armados de metralhadoras.
Os guarda-costas jogaram as armas no chão.
Lado sacou uma faca do cinto, se curvou sobre El Guapo, que se contorcia, baixou suas calças encharcadas de sangue e perguntou:
— Este pau, cabrón?
Um movimento rápido da lâmina, e depois Lado dirigiu-se a todos ao redor:
— Mais alguém quer uma chupada no pau?
Ninguém quis.
Lado o enfiou na boca de El Guapo, pagou sua cerveja e saiu.
Bem, pelo menos essa é a história.
Verdadeira, parcialmente verdadeira, falsa, não importa — a questão é que as pessoas acreditaram. O fato é que nas duas semanas seguintes foram encontrados mais sete corpos com os genitais enfiados nas bocas.
E Elena ganhou um novo nome.
Elena La Reina.
Rainha Elena.
Mas ela acha uma pena que…
Os homens tenham que ensinar como devem ser tratados.


69

O foda (é, é) é que ela não queria nada disso.
Elena nunca quis comandar o cartel.
Mas, sendo a última Lauter, esse era seu dever, sua responsabilidade.
Se você quer ver uma mulher atarefada, dê uma olhada em Elena Sanchez Lauter no
Dia de Finados, pois ela tem que deixar flores em muitos túmulos. Um marido, dois irmãos, cinco sobrinhos, inúmeros primos, amigos além da conta, todos mortos nas guerras das drogas mexicanas.
Mais dois irmãos na prisão; um no México, o segundo do outro lado da fronteira, em uma penitenciária federal de San Diego.
O único homem sobrevivente era seu filho de 22 anos, Hernan, engenheiro de formação e profissão, que teria ascendido ao trono em função do nome de família da mãe. Hernan estava disposto, até mesmo ansioso, para assumir o controle, mas Elena sabia que ele não servia para isso, não tinha a ambição, a crueldade e — vamos reconhecer — o cérebro para o cargo.
Elena admite que ele herdou a falta de caráter e de intelecto do pai, com quem ela se casou aos 19 anos porque o cara era bonito e charmoso e ela queria sair da casa dos pais e se livrar do controle dos irmãos. Passara um breve período morando em San Diego, um fascinante instante de liberdade, uma rebelião adolescente truncada que sua família logo farejou (cheirou?) e então eles a levaram de volta a Tijuana, onde a única fuga possível era pelo casamento.
E — vamos admitir — ela queria sexo.
A única coisa em que Filipo Sanchez era competente.
Ele podia fazer chover por ela.
Filipo a engravidou rapidamente, deu a ela Hernan, Claudia e Magdalena e se permitiu ser morto indo descuidada e estupidamente para uma emboscada. Hoje cantam canções sobre ele, belos narcocorridos, mas Elena — para ser honesta consigo mesma — ficou quase aliviada.
Estava cansada da incompetência financeira dele, da jogatina, das outras mulheres, principalmente de sua fraqueza. Ela sente falta dele na cama, mas só isso.
Hernan puxou ao pai.
Mesmo que conseguisse assumir o lugar à cabeceira da mesa, ele não passaria muito tempo ali antes de ser morto.
Então ela ficou com o cargo, para salvar a vida do filho.
Isso aconteceu há dez anos.
E agora eles a respeitam e a temem.
Eles não a acham fraca e, até recentemente, ela não precisou matar muita gente.


70

Elena tem muitas casas.
No momento ela mora na casa que fica em Río Colonia, em Tijuana, mas também possui três outras em diferentes pontos da cidade, uma finca no interior, perto de Tecate, uma casa de praia ao sul de Rosarito, outra em Puerto Vallarta, uma fazenda de 12 mil hectares no sul de Baja, quatro condomínios em Cabo — e isso apenas no México. É dona de outra fazenda na Costa Rica e mais duas casas no litoral do Pacífico, um apartamento em Zurique, outro em Sète (ela prefere Languedoc; a Provença é óbvia demais) e um apartamento em Londres, onde esteve exatamente uma vez.
Por intermédio de empresas de fachada e com nome fantasia ela comprou várias propriedades em La Jolla, Del Mar e Laguna Beach.
A casa de Río Colonia é conhecida como El Palacio. Na verdade é um complexo,com muros externos e portões resistentes a explosivos. Esquadrões de sicarios percorrem os muros, patrulham o terreno e circulam pelas ruas externas em carros blindados cheios de armas. Outros esquadrões de pistoleiros vigiam o primeiro conjunto de pistoleiros para evitar uma possível traição. As janelas à prova de balas agora têm proteção contra granadas.
A “suíte principal” é maior que muitas casas mexicanas inteiras.
Tem mobília importada da Itália, uma cama enorme, um espelho renascentista deFlorença e uma TV de plasma e tela plana na qual vê novelas cafonas às escondidas. O banheiro tem ducha, banheira de hidromassagem e espelhos de aumento que revelam cada nova linha e ruga no que ainda é, aos 54 anos, um belo rosto.
Nos EUA, ela definitivamente seria considerada uma coroa gostosa.
Elena mantém o corpinho firme com uma disciplina rígida na academia particular da casa e na da finca. Os homens ainda olham para seus peitos; ela sabe que tem uma bela bunda. Mas para quê?
Elena vive só na enorme casa.
Hernan, lamentavelmente casado com uma bruja, agora tem sua própria casa;
Claudia recentemente ficou noiva de um agradável e idiota gerente de fábrica, e tem Magdalena.
A filha rebelde de Elena.
Sua caçula, seu bebê, a inesperada.
Que parece ter intuído sua concepção não planejada e reagiu se tornando imprevisível. Era como se Magda, com seus atos, estivesse sempre dizendo: se você acha que eu a surpreendi ao nascer, espera só pra ver o que eu tenho guardado para você.
Uma criança brilhante que causou choque por causa de seu desempenho lamentável na escola e então, quando haviam desistido de sua vida acadêmica (“Por favor, María, encontre um marido paciente para ela”), ela passou a ser estudiosa. Uma dançarina talentosa que decidiu que a ginástica “fazia mais sua cabeça” e depois abandonou essa atividade de repente para se dedicar à equitação e depois desistiu disso para voltar ao balé. (“Mas eu sempre adorei isso, mamãe.”)
Com o rosto do pai e o corpo da mãe, Magda torturou uma fila de rapazes na roda dos seus caprichos. Descontraidamente cruel, intencionalmente indiferente, despudoradamente provocadora — até sua mãe se sentiu mal por alguns que ela torturou (“Um dia desses você ainda vai passar dos limites, Magda.” “Eu tenho cavalos castrados mais difíceis que isso, mamãe.”) —, Magda rapidamente intimidou o conjunto de potenciais pretendentes de Tijuana.
Não importava, ela queria ir embora dali.
Fez viagens para estudar na Europa, verões com amigos da família na Argentina e no Brasil, visitas frequentes a L.A. para ir a boates e fazer compras. E então, justo quando Elena se resignara ao fato de que sua menina não passava de uma garotinha fútil… surpresa — Magda volta do Peru com um desejo sério de se tornar arqueóloga.
E, sendo Magda quem é, não havia uma faculdade no México que satisfizesse suas ambições. Não, tinha que ser a Universidade da Califórnia, Berkeley ou Irvine, embora Elena estivesse um bocado segura de que sua filha usara a mais distante como ameaça para depois facilitar o caminho para a que ficava relativamente mais perto.
Relativamente próxima, sim, mas Magda quase nunca vai ao México. Está ocupada com os estudos, e as mensagens de vídeo que envia para a mãe a mostram com grandes óculos, os cabelos presos em um rabo de cavalo simples, o corpo escondido em suéteres largos. Como se, pensa Elena, temesse que sua sensualidade diminuísse seu intelecto.
Talvez tenha a mesma preocupação com visitas constantes demais à mãe. Assim, a não ser pelas férias, Elena é deixada sozinha em suas casas tendo apenas guarda-costas, novelas e seu poder como companhia.
Não é o suficiente.
Não era o que ela queria, mas é o que ela tem, e a vida fez dela uma pessoa realista.
Ainda assim, Elena gostaria de ter alguém em sua cama, alguém à mesa do café da manhã. Alguém para abraçá-la, beijá-la, fazer amor com ela. Algumas vezes ela gostaria de abrir uma janela e gritar…
Não sou um monstro.
Não sou uma escrota.
(Ela sabe que brincam dizendo que ela tem pau e colhões, já ouviu a piada:
“Quando Elena está naqueles dias, realmente corre sangue.”) Não sou…
Lady MacBeth.
Lucrécia Bórgia.
Catarina, a Grande. Sou
… uma mulher fazendo o que tem que fazer. Sou
… a mulher que vocês me fizeram ser.
Elena está em guerra.

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