Monday, 3 June 2013

Uma Princesa de Marte - 28° Capítulo

Bom, meus queridos, chegamos ao fim dessa história fantástica. Esse foi o último capítulo, espero que todos tenham gostado...
Não percam em breve uma mini fanfic hot sobre o Taylor ;)

Capítulo 28 - A CAVERNA NO ARIZONA


Estava escuro quando abri meus olhos. Vestimentas estranhas e rígidas estavam sobre meu corpo. Roupas que se estalavam e soltavam pó enquanto eu me colocava sentado. Senti meu corpo vestido da cabeça aos pés e dos pés à cabeça, apesar de que quando caí inconsciente na pequena entrada, eu estava nu. Diante de mim um pequeno pedaço de céu enluarado se mostrava através de uma abertura irregular. Minhas mãos correram meu corpo até encontrarem bolsos, e dentro de um deles havia um pequeno pacote de fósforos embrulhados em papel oleado. Risquei um desses fósforos e sua chama frágil iluminou o que parecia ser uma grande caverna. No fundo dela, descobri uma figura estranha e estática contraída sobre um pequeno banco. Ao me aproximar, vi que se tratava dos restos de uma pequena mulher mumificada com longos cabelos negros. Ela estava curvada sobre um pequeno braseiro no qual repousava uma tigela redonda de cobre contendo uma pequena quantidade de pó verde.
Atrás dela, pendendo do teto por correias de couro e se estendendo por toda a caverna, estava uma fileira de esqueletos humanos. Da correia de cada um deles havia outra tira atada à mão morta da pequena mulher.    Ao tocar a corda, os esqueletos balançaram com o movimento e fez-se um som de folhas secas ao vento. Era uma cena grotesca e terrível, e me apressei para fora em busca de ar fresco, feliz em escapar de um lugar tão bizarro. A visão que encontrou meus olhos, quando pus os pés para fora sobre uma pequena saliência que ficava diante da entrada da caverna, me encheu de consternação. Um novo céu e uma nova paisagem encheram meus olhos. As montanhas prateadas ao longe, a lua quase estacionária pendurada no céu e o vale pontilhado de cactos abaixo de mim não eram de Marte. Eu mal podia acreditar em meus olhos, mas a verdade lentamente forçou espaço dentro de mim... Eu estava olhando para o Arizona, da mesma beira na qual, dez anos antes, eu havia olhado com anseio para Marte.
Afundando minha cabeça em minhas mãos, voltei-me, cansado e angustiado, descendo a trilha para a caverna. Sobre mim brilhava o olho vermelho de Marte guardando seu macabro segredo, oitenta mil quilômetros distante. Teria o marciano chegado à sala de máquinas? Teria o ar revitalizador chegado às pessoas daquele distante planeta a tempo? Estaria minha Dejah Thoris viva ou seu lindo corpo, frio e morto, jazeria ao lado da pequena incubadora dourada no jardim subterrâneo do pátio interno do palácio de Tardos Mors, jeddak de Helium?
Por dez anos tenho esperado e rezado por uma resposta às minhas perguntas. Por dez anos tenho esperado e rezado para ser levado de volta ao mundo de meu amor perdido. Eu preferiria estar morto ao seu lado do que viver na Terra, com milhões de malditos quilômetros entre nós. A velha mina, que achei intocada, me deu uma fabulosa riqueza, mas que me importava o dinheiro? Ao sentar-me aqui em meu estúdio com vista para o Hudson, apenas vinte anos se passaram desde que abri meus olhos em Marte.
Eu posso vê-lo brilhando no céu através da pequena janela em frente à minha mesa, e hoje ele parece estar me chamando novamente como nunca chamou desde aquela noite há muito. E acho que posso ver, do outro lado desse infame abismo espacial, uma linda mulher de cabelos negros no jardim de um palácio. Ao seu lado, um pequeno garoto que põe seu braço à sua volta, enquanto ela aponta para o céu na direção da Terra. Aos seus pés, uma grande e medonha criatura com um coração de ouro. Acredito que estão a esperar por mim. E algo me diz que logo saberei.

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