Monday, 27 May 2013

Uma Princesa de Marte - 21° Capítulo

Capítulo 21 - UM PATRULHEIRO AÉREO DE
ZODANGA


Em minha jornada rumo a Zodanga muitas visões estranhas e interessantes chamaram minha atenção, e nas diversas casas de fazenda onde fiz parada, aprendi diversas coisas novas e instrutivas relativas aos métodos e costumes de Barsoom. A água que irriga as fazendas de Marte é coletada em imensos reservatórios subterrâneos que recolhem o gelo derretido das calotas nos dois pólos e o bombeiam por longas tubulações aos vários centros povoados. Margeando essas tubulações, por toda a sua extensão, estão as regiões cultivadas, as quais são divididas em lotes de metragens similares, cada qual sob supervisão de um ou mais oficiais a serviço.
Em vez de inundar a superfície dos campos - perdendo quantidades imensas através da evaporação -, o precioso líquido é levado pelo subsolo por uma vasta rede de encanamentos menores diretamente às raízes da vegetação. As plantações sobre Marte são sempre uniformes por não haver secas, chuvas, ventanias, insetos nem aves daninhas. Nessa viagem provei o primeiro pedaço de carne desde que havia deixado a Terra, em forma de filés suculentos e cortes dos animais domésticos bem tratados da fazenda. Também provei as lascivas frutas e vegetais, mas nenhum componente dessa culinária era exatamente igual a qualquer coisa da Terra. Toda planta, flor, vegetal e animal vem sendo refinados por eras de cuidadoso cultivo e criação científicos que, se comparados, reduzem os da Terra a pálidas, nubladas e comuns tentativas.
Na segunda parada encontrei algumas pessoas altamente cultas e de classe nobre e, enquanto conversávamos, o assunto se voltou para Helium. Um dos homens mais velhos havia estado lá em diversas missões diplomáticas alguns anos atrás e falou com arrependimento das condições que pareciam manter a eterna guerra desses dois países.
Helium - ele disse - certamente ostenta as mulheres mais belas de Barsoom, e de todos os seus tesouros, a maravilhosa filha de Mors Kajak, Dejah Thoris, é sua flor mais perfeita. Ora - ele adicionou o povo realmente venera o chão em que ela pisa e, desde sua perda em uma expedição desafortunada, toda a Helium se reveste em lamentação. O fato de nosso regente ter atacado e desmantelado a frota enquanto esta retornava a Helium foi nada mais que outra gafe terrível que, temo, mais cedo ou mais tarde compelirá Zodanga a elevar um homem mais sábio a seu lugar. Mesmo agora, embora nossos exércitos estejam cercando Helium, o povo de Zodanga está manifestando seu descontentamento, porque a guerra não tem apoio, uma vez que não é baseada em direitos ou justiça. Nossas forças tomam vantagem da ausência da principal frota de Helium, que busca a princesa, e assim poderão facilmente reduzir a cidade a um lastimável fim. Dizem que ela cairá nas próximas passagens da lua mais próxima.
E o que acha que deve ter acontecido à princesa Dejah Thoris? - perguntei tão casualmente quanto possível.
Ela está morta - respondeu. - Isso foi revelado por um guerreiro verde recentemente capturado por nossas forças ao sul. Ela escapou das hordas de Thark com uma estranha criatura de outro mundo, apenas para cair nas mãos dos warhoons. Seus thoats foram encontrados vagando sobre o fundo do mar e evidências de um combate sangrento foram descobertas nos arredores.
Ao mesmo tempo em que essa informação não era animadora, também não era prova conclusiva da morte de Dejah Thoris. Assim, decidi fazer todo esforço possível para chegar a Helium o mais rápido possível e levar a Tardos Mors todas as informações que eu possuía sobre a possível situação de sua neta. Dez dias depois de deixar os três irmãos Ptor, cheguei a Zodanga. A partir do momento em que entrei em contato com os habitantes vermelhos de Marte, notei que Woola chamava uma atenção indesejada sobre mim, uma vez que o bruto pertencia a uma espécie que nunca fora domesticada pelos homens vermelhos. Se alguém passeasse pela Broadway com um leão númida ao seu lado, o efeito seria parecido ao que eu causaria se entrasse em Zodanga com Woola.
A idéia de me separar de meu fiel companheiro causava remorso tão grande e tristeza tão genuína que protelei o fato até momentos antes de chegarmos aos portões da cidade. Mas ali, finalmente, tornou-se imperativo que nos separássemos. Não fossem minha segurança e objetivos estarem em jogo, nenhum motivo seria suficiente para me fazer deixar a única criatura de Barsoom que nunca havia falhado em suas demonstrações de afeição e lealdade. Mas enquanto estava disposto a oferecer minha vida a serviço daquela que eu procurava, e pela qual estava prestes a desafiar os perigos ocultos desta ainda misteriosa cidade, eu não poderia permitir sequer que a vida de Woola ameaçasse o sucesso de minha tentativa, muito menos sua felicidade momentânea, porque duvidada que ele me esquecesse logo. E assim acenei meu afetuoso adeus à pobre fera, prometendo a ele, contudo, que se eu sobrevivesse à minha aventura, encontraria os meios de procurar por ele. Ele pareceu entender tudo, e quando apontei para a direção de Thark, ele voltouse angustiadamente e sequer pude suportar observar sua partida. Resolutamente voltei meu rosto na direção de Zodanga e, com o coração apertado, avancei para as muralhas carrancudas.
A carta que eu trazia me garantiu entrada imediata na vasta e fortificada cidade. Era muito cedo ainda e as ruas estavam praticamente desertas. As residências se elevavam altas sobre suas colunas de metal, lembrando grandes casas de pássaros, enquanto os próprios pilares tinham a aparência de troncos de árvores feitos de metal. As lojas, por regra, não eram elevadas do chão e não tinham suas portas trancadas ou obstruídas, porque o furto era uma atividade praticamente desconhecida em Barsoom.
Assassinato é um medo constante para todos os barsoomianos, e por essa razão seus lares são colocados longe do chão à noite ou em tempos de perigo. Os irmãos Ptor haviam me dado instruções específicas para chegar ao ponto da cidade onde encontraria acomodações próximas aos escritórios dos agentes do governo
aos quais eu tinha cartas endereçadas. Meu caminho me levou ao quarteirão central da praça, uma característica de todas as cidades marcianas.
A Praça de Zodanga cobre um quilômetro quadrado e meio e é delimitada pelos palácios do jeddak, dos jeds e de outros membros da realeza e nobreza de Zodanga, assim como os principais prédios públicos, cafés e lojas. Ao atravessar o grande quarteirão, admirado e surpreso pelas magníficas arquiteturas e a belíssima vegetação vermelha que acarpetava os largos gramados, descobri um marciano vermelho caminhando ligeiro em minha direção, vindo de uma das avenidas. Ele não prestou a menor atenção em mim, mas chegou perto o bastante para que eu o reconhecesse. Virei-me e coloquei minha mão em seu ombro chamando:
Kaor, Kantos Kan!
Ele se virou como um relâmpago e, antes que eu pudesse baixar minha mão, a ponta de sua espada já estava em meu peito:
Quem é você? - ele rosnou enquanto eu dava um passo para trás que me levaria a cinco metros de sua espada. Ele baixou a arma para o chão e exclamou, rindo:
Não preciso de resposta melhor, pois há somente um homem em toda a Barsoom que pode quicar como uma bola de borracha. Pela mãe da lua próxima, John Carter, como chegou aqui e, diga, você virou um Darseen para conseguir mudar de cor quando quiser? Por um minuto você me deu um susto, meu amigo -
ele continuou após eu fazer um breve resumo de minhas aventuras desde que nos separamos na arena de Warhoon. - Se meu nome e cidade forem revelados aos zodanganos, eu logo estarei nos bancos do mar perdido de Korus com meus respeitados e falecidos ancestrais. Estou aqui pelos interesses de Tardos Mors, jeddak de Helium, para descobrir o paradeiro de nossa princesa. Sab Than, príncipe de Zodanga, a mantém escondida na cidade e apaixonou-se perdidamente por ela. Seu pai, Than Kosis, jeddak de Zodanga, arranjou um casamento voluntário para seu filho pelo preço da paz entre nossos países, mas Tardos Mors não cederá às exigências e enviou a mensagem de que seu povo preferiria olhar o rosto morto de sua princesa a casá-la contra sua vontade, e que ele pessoalmente prefere ser envolvido pelas cinzas de uma Helium derrotada e incendiada do que unir o metal de sua casa com o de Than Kosis. Sua resposta foi a mais imperdoável afronta que poderia dar a Than Kosis e aos zodanganos, mas seu povo o ama por isso e seu poder em Helium é maior hoje do que nunca.
Estou aqui há três dias - continuou Kantos Kan -, mas ainda não consegui encontrar o lugar onde Dejah Thoris está aprisionada. Hoje me juntarei à armada como patrulheiro aéreo. Espero assim conseguir a confiança do príncipe Sab Than, que comanda essa divisão, e assim encontrá-la. Estou feliz que esteja aqui, John Carter, porque sei de sua lealdade à princesa e, se trabalharmos juntos, poderemos ser mais bem-sucedidos.
A praça agora começava a ser preenchida por pessoas indo e vindo em suas atividades diárias. As lojas estavam sendo abertas e os cafés se enchiam com os primeiros clientes da manhã. Kantos Kan me levou a um desses maravilhosos restaurantes onde fomos servidos inteiramente por aparatos mecânicos. Nenhuma mão havia tocado a comida desde que havia entrado no prédio em seu estado natural até que emergisse, quente e deliciosa, sobre as mesas diante dos consumidores em resposta aos pequenos botões que apertavam indicando seus pedidos. Após nossa refeição, Kantos Kan levou-me ao quartelgeneral do esquadrão de patrulha aérea e, introduzindome ao seu superior, pediu que eu fosse alistado como membro da unidade. De acordo com os costumes, um exame se fez necessário, mas Kantos Kan me avisou para nada temer sobre esse obstáculo porque cuidaria do assunto.
Ele conseguiu isso entregando meu pedido de exame para o oficial de revista e se apresentando como John Carter. - Esse ardil será descoberto depois - explicou animadamente -quando forem checar minha altura, medidas e outras informações de cunho pessoal, mas levará meses até que isso aconteça, e até lá nossa missão estará completada, ou teremos falhado muito tempo antes disso.
Os próximos dias se passaram com Kantos Kan me ensinando os fundamentos de vôo e da reparação dos delicados pequenos aparelhos que os marcianos usam para esse propósito. O tamanho dessa nave de um lugar é de cerca de cinco metros de comprimento, sessenta centímetros de largura e dez centímetros de espessura, estreitando-se nas duas pontas. O piloto senta-se sobre esse avião em um assento construído logo acima de um pequeno e silencioso motor de rádio que o propulsiona. O meio da força de ascensão fica contido dentro de finas paredes de metal presas à fuselagem e consiste de oito raios barsoomianos, ou raios de propulsão, assim designados em face de suas propriedades. Esse raio, como o nono raio, é desconhecido na Terra, mas os marcianos descobriram que se trata de uma propriedade inerente a toda luz, não importando de que fonte emane. Eles aprenderam que é o oitavo raio do sol que propele sua luz aos vários planetas, e que é o oitavo raio de cada um dos planetas que "reflete" ou propulsiona a luz obtida de volta novamente ao espaço. O oitavo raio solar seria absorvido pela superfície de Barsoom, mas o oitavo raio barsoomiano, que tende a propagar a luz de Marte no espaço, está constantemente vertendo para fora do planeta, constituindo uma força repulsora de gravidade que, quando confinada, é capaz de levantar enormes volumes de peso do solo. Foi esse raio que permitiu o aperfeiçoamento da aviação, fazendo com que navios de guerra, muito mais pesados que qualquer coisa conhecida sobre a Terra, navegassem com graça e leveza pelo ar rarefeito de Barsoom como balões de gás na pesada atmosfera da Terra.
Durante os primeiros anos da descoberta desse raio, muitos acidentes estranhos aconteceram, ocorridos antes que os marcianos aprendessem a medir e controlar esse maravilhoso poder que descobriram. Por exemplo, por volta de novecentos anos atrás, a primeira belonave a ser construída com reservatórios para o oitavo raio foi abastecida com uma quantidade grande demais e navegou verticalmente sobre Helium levando quinhentos oficiais e homens para nunca mais retornar. Seu poder de repulsão do planeta era tão grande que a belonave foi levada para o espaço exterior, onde ainda pode ser vista hoje, com a ajuda de poderosos telescópios, velejando pelos céus a mais de quinze mil quilômetros de distância de Marte. Um pequenino satélite que orbitará Barsoom até o final dos tempos.
Fiz meu primeiro vôo no quarto dia após minha chegada a Zodanga. Como resultado, recebi uma promoção que incluía acomodações no palácio de Than Kosis. Quando me elevei sobre a cidade, voei em círculos várias vezes como havia visto Kantos Kan fazer. Depois, arremessei meu aparelho à velocidade máxima, acelerando cada vez mais em direção ao sul, seguindo uma das hidrovias que chegam a Zodanga por esse lado da cidade. Eu já havia percorrido, talvez, trezentos quilômetros em pouco mais de uma hora quando enxerguei ao longe um bando de três guerreiros verdes marcianos correndo ensandecidamente na direção de uma pequena figura a pé que parecia estar tentando alcançar os limites de um dos campos murados. Inclinando minha máquina rapidamente em sua direção e fazendo um círculo pela retaguarda dos guerreiros, logo vi que o objeto de sua perseguição era um marciano vermelho vestindo o metal do esquadrão de patrulha ao qual eu estava servindo. A uma pequena distância além, jazia seu pequeno aparelho de vôo, cercado pelas ferramentas que evidentemente estava usando para realizar o reparo de algum dano quando foi surpreendido pelos guerreiros verdes.
Nesse ponto, já estavam praticamente sobre ele; suas montarias levantavam poeira em extrema velocidade de ataque, buscando a figura relativamente pequena enquanto os guerreiros se inclinavam, abaixando-se para o lado direito, com suas grandes lanças revestidas de metal. Cada um parecia estar competindo para ser o primeiro a empalar o pobre zodangano e o próximo momento poderia ter sido seu último, não fosse minha chegada providencial. Guiando minha ligeira aeronave a toda velocidade por trás dos guerreiros, logo os ultrapassei e, sem desacelerar, lancei a proa de meu pequeno aeroplano entre os ombros do guerreiro mais próximo. O impacto, suficiente para rasgar vários centímetros de metal sólido, arremessou o corpo decapitado do indivíduo sobre a cabeça de seu thoat, que caiu estendido sobre o musgo.
As montarias dos outros dois guerreiros se viraram, berrando de terror, e dispararam em direções opostas. Reduzindo minha velocidade, circulei e pousei aos pés do surpreso zodangano. Ele foi caloroso em seus agradecimentos por minha ajuda oportuna e prometeu que o trabalho realizado me traria a recompensa merecida, porque a vida que eu havia salvado tratava-se de nenhuma outra além do primo do jeddak de Zodanga. Não perdemos mais tempo falando, pois sabíamos que os guerreiros certamente retornariam assim que recuperassem o controle de suas montarias. Precipitando-nos até sua máquina avariada, concentramos todos os nossos esforços para realizar os reparos necessários. Já havíamos quase terminado quando vimos os dois monstros verdes retornando a toda velocidade vindos de direções opostas às nossas. Quando eles estavam a menos de cem metros de distância, novamente seus thoats começaram a refugar e se recusavam absolutamente a chegar mais perto da aeronave que os havia assustado.
Os guerreiros finalmente desmontaram e, amarrando seus animais, avançaram em nossas direções a pé, brandindo suas espadas longas. Avancei para encontrar o maior deles, dizendo ao zodangano que desse o seu melhor contra o outro. Eliminando meu homem com quase nenhum esforço - porque agora, após muita prática, isso havia se tornado habitual para mim -, corri de volta ao meu novo conhecido a quem encontrei verdadeiramente em uma situação difícil. Ele estava ferido e caído com o enorme pé de seu antagonista sobre sua garganta e com a espada erguida para desferir o golpe fatal. Com um salto, cobri os quinze metros que nos separavam e com a ponta estendida de minha espada atravessei completamente o corpo do guerreiro verde. Sua espada caiu ao chão, inofensiva, e ele desabou desajeitadamente sobre a forma prostrada do zodangano. Um exame superficial em meu companheiro não revelou ferimentos graves e, depois de um breve repouso, ele afirmou estar se sentindo bem o bastante para tentar a viagem de volta. Ele teria de pilotar sua própria nave, pois esses frágeis veículos não foram projetados para levar mais de uma pessoa.
Rapidamente, após terminarmos os reparos, subimos juntos aos céus calmos e sem nuvens de Marte e, a grande velocidade e sem novos incidentes, retornamos a Zodanga. Ao nos aproximarmos da cidade, descobrimos uma grande confluência de pessoas e tropas reunidas sobre o campo diante da cidade. O céu estava negro de veículos navais, naves particulares e públicas de lazer, ostentando longas bandeiras de seda com cores alegres e flâmulas de formatos estranhos e pitorescos. Meu companheiro sinalizou para que eu reduzisse a marcha. Aproximando sua máquina da minha, sugeriu que nos aproximássemos para observar a cerimônia que, segundo ele, tinha o propósito de conferir honras aos oficiais e homens por bravura e outros serviços de relevância. Ele então desenrolou uma bandeira de navegação que denotava que sua nave levara um membro da família real de Zodanga, e juntos abrimos caminho pela confusão de veículos planando próximos ao solo até que paramos diretamente acima do jeddak de Zodanga e seu estadomaior.
Todos estavam montados nos pequenos thoats machos domesticados pelos marcianos vermelhos, e seus enfeites e ornamentos continham uma quantidade de penas coloridas tão maravilhosas que minha reação não podia ser outra além de encantamento com a impressionante semelhança que a multidão apresentava com uma tribo de índios vermelhos da minha Terra. Um dos componentes do estado-maior chamou a atenção de Than Kosis para a presença de meu companheiro sobre eles e o regente sinalizou para que pousasse. Enquanto esperavam que tropas se colocassem em posição à frente do jeddak, os dois se falavam animadamente, com o jeddak e seus subordinados olhando ocasionalmente em minha direção. Eu não podia ouvir sua conversa, que logo terminou, e todos desmontaram enquanto o último batalhão das tropas se punha em posição perante seu imperador. Um membro do estado-maior se adiantou na direção das divisões e, chamando o nome de um soldado, ordenou que avançasse. O oficial então recitou a natureza heróica do ato que havia ganhado a aprovação do jeddak e este se adiantou e colocou um ornamento de metal sobre o braço esquerdo daquele homem de sorte.
Dez homens foram condecorados dessa forma quando um assistente gritou:
-John Carter, patrulheiro aéreo!
Nunca fiquei tão surpreso em toda a minha vida, mas o hábito da disciplina militar é forte dentro de mim. Soltei minha pequena máquina suavemente ao chão para avançar a pé como havia visto os outros fazerem. Quando parei diante do oficial, ele se dirigiu a mim com uma voz que podia ser ouvida por todo o agrupamento das tropas e espectadores.
- Em reconhecimento, John Carter - disse ele -, por sua notável coragem e habilidade em defender o primo do jeddak Than Kosis e, sem ajuda, subjugar três guerreiros verdes. É um prazer para nosso jeddak conferir a você a marca de nossa gratidão.
Than Kosis então se dirigiu até mim e, colocando um ornamento sobre meu corpo, disse: - Meu primo narrou os detalhes de seu maravilhoso feito, que me parece bem próximo ao que chamaria de milagroso e, se pôde defender tão bem um primo do jeddak, quão bem poderia defender a pessoa do próprio jeddak? De agora em diante você é nomeado um padwar dentre a guarda e ficará alojado em meu palácio.
Eu o agradeci e, seguindo sua indicação, me juntei ao seu estado-maior. Após a cerimônia, devolvi minha máquina à sua garagem na laje dos galpões do esquadrão de patrulha aérea e, com um servente da corte para me guiar, fui ter com o oficial encarregado do palácio.

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