Wednesday, 22 May 2013

Uma Princesa de Marte - 16° Capítulo


Capítulo 16 - PLANEJAMOS A FUGA


O restante da jornada até Thark não reservou outros acontecimentos. Já estávamos há vinte dias viajando, cruzando dois fundos de mares e passando através, ou rodeando, mais cidades em ruínas - a maioria menores que Korad. Duas vezes atravessamos as famosas hidrovias marcianas, ou canais, como as chamam nossos astrônomos na Terra. Quando nos aproximávamos desses locais, um guerreiro era enviado à frente portando um poderoso binóculo e, se não houvesse nenhuma grande quantidade de tropas de marcianos vermelhos à vista, avançávamos o máximo possível sem nos deixar expostos e acampávamos até o anoitecer. Então, vagarosamente nos aproximávamos do campo cultivado e localizávamos uma das numerosas e largas estradas que cruzam essas áreas em intervalos regulares. Nos esgueirávamos silenciosa e sorrateiramente, cruzando até as terras áridas do outro lado. Foram necessárias cinco horas para fazer uma dessas travessias sem nenhuma parada. A outra levou a noite toda, de forma que estávamos saindo do confinamento dos campos cercados pelas altas paredes quando o sol nasceu sobre nós. Atravessar na escuridão, como fazíamos, tornava impossível que eu enxergasse bem, exceto quando a lua mais próxima, com seus extravagantes e incessantes movimentos pelos céus barsoomianos, iluminava pequenos retalhos da paisagem de vez em quando, revelando campos murados e construções baixas e irregulares que lembravam muito as fazendas terráqueas. Havia muitas árvores dispostas metodicamente, algumas delas de altura incrível.
Existiam animais em alguns cercados que anunciavam suas presenças com berros apavorados e grunhidos quando sentiam o odor de nossas estranhas e rudes bestas, e ainda mais o cheiro dos estranhos seres humanos.
Apenas uma vez avistei um ser humano, na intersecção de nossa passagem com a vasta e alva barreira que corta longitudinalmente cada uma das regiões cultivadas exatamente no centro. O indivíduo devia estar dormindo na beira da estrada porque, quando me aproximei, ele se apoiou sobre um cotovelo e, após um relance sobre a caravana que se aproximava, levantou-se com um salto e fugiu gritando desordenadamente estrada abaixo, escalando um muro próximo com a agilidade de um gato assustado.
Os tharks não lhe dispensaram a menor atenção, pois não estavam em busca de combate. O único sinal que tive de que o haviam visto foi uma aceleração na marcha da caravana enquanto nos aproximávamos da borda do deserto que marcava a entrada nos domínios de Tal Hajus. Eu não havia conversado com Dejah Thoris, uma vez que ela não enviou nenhuma palavra de que eu era bem-vindo em sua carruagem. E meu orgulho tolo me impediu de fazer qualquer tentativa. Acredito piamente que o jeito de um homem para com as mulheres é inversamente proporcional à sua destreza entre os homens. A fraqueza e a tolice às vezes são mostra de grande atrativo ao sexo frágil, ao passo que um lutador que enfrenta destemidamente uma miríade de perigos reais se esconde nas sombras como uma criança medrosa. Exatamente trinta dias após minha chegada a Barsoom, adentramos a velha cidade de Thark, da qual seu povo há muito esquecido teve até mesmo seu nome roubado pela horda dos homens verdes. As hordas de Thark somam algo entre trinta mil almas e são divididas em vinte e cinco comunidades. Cada comunidade tem seu próprio jed e líderes inferiores, mas todos estão sob o jugo de Tal Hajus, jeddak de Thark. Cinco comunidades fazem da cidade de Thark seu quartel-general e o restante fica espalhado por outras cidades desertas da Marte ancestral, por toda a região reivindicada por Tal Hajus. Fizemos nossa entrada pela grande praça central no começo da tarde. Não houve saudações amigáveis entusiasmadas pelo retorno da expedição. Aqueles que por acaso estavam por ali falavam os nomes dos guerreiros e mulheres com quem eles tinham contato direto, fazendo a saudação formal de sua espécie. Mas a presença de dois prisioneiros despertou um grande interesse, transformando Dejah Thoris e eu no centro das atenções dos grupos de curiosos. Logo fomos conduzidos à nossos novos alojamentos e o restante do dia foi dedicado a nos assentarmos às novas condições. Meu lar ficava sobre a avenida sul que levava à praça, a artéria principal pela qual marchamos vindos dos portões da cidade. Eu ficava no final do quarteirão e tinha todo o edifício à minha disposição.
A mesma grandeza arquitetônica tão evidente em Korad também se evidenciava aqui, embora, se isso fosse possível, em uma escala maior e mais rica. Meus dormitórios seriam adequados para abrigar o maior dos imperadores da Terra, mas para essas estranhas criaturas apenas o tamanho e o gigantismo dos cômodos lhes era importante. Quanto maior a construção, melhor, e dessa maneira Tal Hajus ocupava o que devia ter sido um enorme prédio público. O segundo em tamanho era reservado a Lorquas Ptomel e o próximo a um jed de posto inferior, e assim por diante até o final da lista de cinco jeds.
Os guerreiros ocupavam os prédios com os líderes de suas comitivas ou, se preferissem, buscavam abrigo entre qualquer dos milhares de edifícios vagos nos quarteirões da cidade. Cada comunidade era designada a uma determinada parte da cidade. A escolha das construções era feita de acordo com essas divisões, exceto quando se tratava dos jeds, que ocupavam os edifícios em frente à praça.
Quando finalmente deixei minha casa em ordem - ou melhor, averigüei se a haviam arrumado -, era quase crepúsculo e me apressei a localizar Sola e seus protegidos, porque estava decidido a falar com Dejah Thoris e tentar convencê-la da necessidade de pelo menos acordarmos uma trégua até que eu pudesse encontrar um meio de ajudá-la a fugir. Procurei em vão até que o topo do grande sol vermelho estava desaparecendo no horizonte, e então avistei a feia cabeça de Woola espreitando de uma janela do segundo andar, do lado oposto da mesma avenida onde eu estava alojado, embora mais próximo da praça. Sem aguardar pelo convite, subi pelos corredores tortuosos como uma flecha até o segundo andar e, ao chegar à grande câmara de entrada, fui saudado pelo frenesi de Woola, que jogou seu corpanzil sobre mim, quase me atirando ao chão.
O animal estava tão feliz em me ver que pensei que iria me devorar, sua cabeça dividida de orelha a orelha, expondo três fileiras de presas em um sorriso demoníaco. Acalmando-o com uma palavra de comando e carinho, olhei rapidamente pela escuridão em busca de um sinal de Dejah Thoris e então, não a vendo, chamei seu nome. Houve um murmúrio em resposta vindo do canto mais distante do apartamento. Com um par de passos largos, coloquei-me ao seu lado, onde estava encolhida entre suas sedas e peles sobre uma antiga poltrona entalhada em madeira. Permaneci ali enquanto ela se levantou altiva, olhou-me diretamente nos olhos e disse:
O que poderia querer Dotar Sojat, um thark, com a prisioneira Dejah Thoris? 
Dejah Thoris, não sei por que a deixei raivosa. Sempre esteve longe de meus desejos machucar ou ofender você, a quem espero poder proteger e confortar. Não se obrigue à minha presença, caso não queira, mas você deve me ajudar a realizar sua fuga, se tal coisa for possível. E isso não é um pedido, e sim um comando. Quando você estiver novamente livre na corte de seu pai, poderá fazer de mim o que desejar, mas de agora em diante e até esse dia, serei seu senhor e deverá me obedecer e ajudar. Ela me olhou longa e seriamente e achei que estava abrandando seus sentimentos para comigo.
Entendo suas palavras, Dotar Sojat - ela respondeu - , mas você não entende. Você é uma mistura confusa de criança e homem, de rudeza e nobreza. Quisera eu poder entender seu coração.
Olhe para seus pés, Dejah Thoris. Ele continua no mesmo lugar que naquela outra noite em Korad, e continuará assim, batendo sozinho até que a morte o cale para sempre. Ela deu um pequeno passo em minha
direção, suas belas mãos se estenderam em um gesto de estranho tatear.
O que quer dizer, John Carter? - ela murmurou. - O que está me dizendo?
Estou dizendo aquilo que prometi a mim mesmo que não diria a você, pelo menos enquanto você continuasse prisioneira dos homens verdes, aquilo que sua atitude nos últimos vintes dias despertou em mim. Estou dizendo, Dejah Thoris, que sou seu, de corpo e alma, para servi-la, protegê-la e morrer por você. Só lhe peço uma coisa em troca: que você me dê um sinal, seja de condenação ou aprovação, até que esteja a salvo entre os seus; e que quaisquer sentimentos que você guarde por mim não sejam influenciados ou maculados pela gratidão. O que quer que eu faça para servi-la, será por motivos puramente egoístas, uma vez que me dá mais prazer servi-la do que deixá-la.
Respeitarei seus desejos, John Carter, porque entendo seus motivos para isso e aceito seu serviço com a mesma aprovação que tenho por sua autoridade. Sua palavra será minha lei. Por duas vezes o condenei injustamente em pensamento e mais uma vez lhe peço perdão. Uma conversa de cunho mais pessoal foi impedida pela entrada de Sola, que estava muito agitada, destoando de sua calma e controle costumeiros.
-Aquela horrenda Sarkoja foi ter com Tal Hajus - ela gritou -, e pelo que ouvi na praça, há pouca esperança
para vocês dois.
O que disseram? - perguntou Dejah Thoris.
Que vocês serão jogados para os calots [cães] selvagens na grande arena logo que as hordas se reúnam para os jogos anuais.
Sola - eu disse -, você é uma thark, mas odeia e despreza os costumes de seu povo assim como nós. Você
não nos acompanharia em um esforço supremo de fuga? Estou certo de que Dejah Thoris poderia lhe oferecer um lar e proteção entre seu povo. Seu futuro não pode ser pior do que o que a espera aqui.
Sim - clamou Dejah Thoris venha conosco, Sola. Você estará melhor entre os homens vermelhos de Helium do que ficando aqui. E eu lhe prometo não apenas um lar para nós, mas o amor e a afeição que sua natureza anseia e que lhe será sempre negada pelos costumes de sua própria raça. Venha conosco, Sola. Nós podemos partir sem você, mas seu destino será terrível se acharem que foi conivente em nos ajudar. Sei que mesmo esse perigo não a impediria de interferir em nossa fuga, mas nós a queremos junto, queremos que você venha para a terra do sol e da felicidade entre pessoas que entendem o significado do amor, da simpatia e da gratidão. Diga que virá, Sola, por favor, diga.
A grande hidrovia que leva a Helium fica a cerca de oitenta quilômetros ao sul - murmurou Sola, para si
mesma -, um thoat ligeiro chega lá em três horas. Dali para Helium são oito mil quilômetros, a maior parte deles passa por regiões parcamente habitadas. Eles descobririam e nos perseguiriam. Podemos nos esconder entre as grandes árvores por algum tempo, mas as chances reais de fuga são realmente pequenas. Eles nos seguiriam até os portões de Helium e matariam tudo em seu caminho. Vocês os conhecem.
Não há outro modo de chegarmos a Helium? - perguntei. - Conseguiria rascunhar um mapa do território
que devemos atravessar, Dejah Thoris?
Sim - ela respondeu. E tomando um grande diamante de seus cabelos, desenhou sobre o mármore do chão o primeiro mapa de um território barsoomiano que vi na minha vida. Ele era riscado em todas as direções por linhas retas, algumas correndo em paralelo e eventualmente convergindo para um grande círculo. As linhas, ela disse, eram hidrovias. Os círculos, cidades. E um deles, bem ao noroeste, ela apontou indicando Helium. Havia outras cidades próximas, mas ela disse que as temia, pois não eram aliadas de Helium.
Finalmente, após estudar o mapa cuidadosamente sob o luar que agora preenchia a sala, apontei para uma hidrovia ao nosso extremo norte que também parecia levar a Helium.
Esta aqui cruza o território de seu avô? - perguntei.
Sim - ela respondeu -, mas fica trezentos quilômetros ao norte de onde estamos. É uma das hidrovias que atravessamos em nossa viagem a Thark.
Eles nunca suspeitariam que escolheríamos a hidrovia mais distante - declarei -, e é por isso que esta é a melhor rota para nossa fuga. Sola concordou comigo e ficou decidido que deveríamos deixar Thark naquela mesma noite. Na verdade, tão rápido quanto eu pudesse encontrar e preparar meus thoats. Sola montaria um e Dejah Thoris e eu o outro. Cada um de nós carregaria comida e bebida suficientes para durar dois dias, já que não se podia forçar a cavalgada dos animais por uma distância tão grande.
Mandei que Sola fosse com Dejah Thoris por uma avenida menos movimentada até a fronteira ao sul da cidade, onde eu as encontraria com meus thoats o mais rápido possível. Então, deixando-as para juntarem comida, sedas e peles de que precisaríamos, me esgueirei silenciosamente para os fundos do primeiro andar e adentrei o pátio onde nossos animais se movimentavam incessantemente, como é seu hábito, antes de se acomodarem para dormir. O grande rebanho de thoats e zitidars se movia pelas sombras dos edifícios e pelo esplendor das luas marcianas. Esses últimos grunhiam seus graves sons guturais e os primeiros emitiam ocasionalmente um berro agudo que denotava o quase habitual estado de raiva no qual essas criaturas passam sua existência. Eles estavam mais calmos agora, devido à ausência de pessoas, mas assim que me farejaram, tornaram-se mais irritadiços e seus repugnantes barulhos aumentaram. Essa minha entrada em um cercado de thoats, sozinho e à noite, era um negócio bem arriscado. Primeiro, porque seu barulho crescente poderia alertar algum guerreiro próximo de que algo estava errado, e também porque, por qualquer descuido - ou descuido nenhum, na verdade -, um thoat macho podia se encarregar de me atropelar em uma investida.
Não tendo desejo de despertar seus maus humores em uma noite como aquela, quando tantas coisas dependiam de discrição e esperteza, lancei-me nas sombras dos prédios pronto para, a qualquer instante, saltar para a segurança de uma porta ou janela vizinha. Assim, caminhei silenciosamente até os grandes portões que davam para a rua atrás da praça e, ao me aproximar da saída, chamei suavemente meus dois animais. Agradeci muito a gentil Providência que havia me iluminado com a idéia de ganhar o amor e a confiança desses brutos estúpidos, porque agora, vindas do outro lado do pátio, vi duas enormes formas forçando sua passagem em minha direção por entre montanhas de carne ondulante.
Eles vieram até mim, roçando seus focinhos contra meu corpo e farejando os pedaços de comida que eu usava como recompensa para treiná-los. Abrindo os portões, ordenei os dois grandes animais a saírem e me
esgueirei silenciosamente atrás deles, fechando os portões às minhas costas. Eu não selei ou montei os animais ali. Em vez disso, caminhei em silêncio até a sombra dos edifícios próximos a uma avenida pouco freqüentada que levava até o ponto combinado para meu encontro com Dejah Thoris e Sola. Tão silenciosos quanto espíritos desencarnados, nos movemos furtivamente pelas ruas desertas, mas só voltei a respirar normalmente quando as planícies ao redor da cidade preencheram minha visão. Eu tinha certeza de que Sola e Dejah Thoris não teriam dificuldades em chegar ao nosso ponto de encontro, ilesas. Por outro lado, acompanhado por meus grandes thoats, eu não podia ter certeza sobre mim mesmo, pois era extremamente raro que guerreiros saíssem da cidade após anoitecer. Na verdade, não havia lugar algum por perto que não exigisse uma longa viagem. Cheguei ao local combinado em segurança, mas, como Dejah Thoris e Sola não estavam lá, guiei meus animais até a frente de um dos grandes prédios. Presumi que alguma outra mulher tivesse ido até a residência de Sola para conversar, o que teria atrasado sua partida. Não tive nenhuma preocupação indevida até que quase uma hora havia se passado sem sinal delas. E após outra meia hora ter se arrastado, comecei a ser tomado por uma grave ansiedade.
Então, a tranqüilidade da noite foi quebrada por um grupo se aproximando, cujo barulho não podia ser o de fugitivos se esgueirando sorrateiramente por sua liberdade. Logo, o grupo estava perto de mim e percebi das sombras negras de onde me escondia cerca de vinte guerreiros montados que, ao passar, deixaram escapar palavras que fizeram meu coração pular direto para o topo de minha cabeça.
- Ele provavelmente combinou de encontrá-las fora da cidade e então... - e não ouvi mais nada enquanto passavam. Mas já era o bastante. Nosso plano havia sido descoberto e, de agora em diante e até o amargo fim, as chances de fuga eram realmente pequenas. Minha única preocupação era voltar desapercebido até os alojamentos de Dejah Thoris e descobrir o que havia acontecido a ela. Mas o que eu faria com esses dois monstruosos thoats que tinha em mãos? Agora que a cidade estava provavelmente excitada ao saber de minha fuga, esse problema havia tomado grandes proporções.
De repente, uma idéia me ocorreu e, usando meu conhecimento sobre as construções dos prédios dessas antigas cidades marcianas, lembrei dos pátios vazios no centro de cada quarteirão. Tateei meu caminho às cegas através das salas escuras, chamando os grandes thoats a me seguirem. Eles tiveram dificuldades em lidar com algumas das portas, mas como os edifícios que formavam a fachada principal da cidade eram todos desenhados em uma escala magnífica, conseguiram contorcer-se sem acabarem presos nelas. E, assim, finalmente chegamos ao pátio interno onde encontrei, conforme o esperado, o usual carpete de vegetação musgosa que providenciaria comida e bebida a eles até que eu pudesse devolvê-los ao seu cercado. Eu estava confiante de que ficariam tão quietos e contentes ali quanto em qualquer outro lugar, e não havia sequer a menor possibilidade de que fossem descobertos, porque os homens verdes não apreciam muito entrar nesses edifícios remotos que são habitados pela única coisa, acredito, que lhes causa a sensação de medo: os grandes macacos albinos de Barsoom.
Removi os ornamentos da sela e os escondi dentro de uma porta por onde havíamos entrado no pátio e, libertando as feras, rapidamente cruzei-o novamente para os fundos do edifício, pelo lado mais distante e, dali, para além da avenida. Esperei no umbral até me certificar de que ninguém se aproximava, corri até o lado oposto e passei pelo portal que levava ao próximo pátio. Assim, pátio após pátio, com pouca chance de ser detectado por me expor pouco nas avenidas, criei minha rota em segurança até o quintal nos fundos dos alojamentos de Dejah Thoris. Ali, obviamente, encontrei os animais dos guerreiros que habitavam as construções adjacentes - e os próprios guerreiros deveriam estar na parte interna, caso eu entrasse.
Mas, para minha sorte, eu tinha ainda um outro método de alcançar o andar superior onde Dejah Thoris deveria estar. Depois de deduzir qual dos edifícios ela ocupava, porque nunca o havia visto deste ângulo, tomei vantagem de meu poder e agilidade relativamente grandes e saltei para o alto até me agarrar ao peitoril da janela do segundo andar, que eu achava ser a mesma dos fundos de seu apartamento. Colocando-me para dentro do quarto, movi-me discretamente na direção da frente do prédio, e antes que eu alcançasse a porta de seu quarto, ouvi as vozes que vinham de dentro dele.
Não ousei ir mais adiante para me assegurar se era a voz de Dejah Thoris e assim aventurar-me com mais segurança. De fato, essa precaução foi bastante sábia, porque a conversa que ouvi tinha o tom gutural grave dos homens e suas palavras me deram um aviso oportuno. O orador era um líder que dava ordens a quatro de seus guerreiros. - E quando ele retornar à este cômodo - ele dizia porque certamente retornará quando não as encontrar nas fronteiras da cidade, vocês quatro saltarão sobre ele e o desarmarão. Será necessária a força combinada de todos vocês, se os relatos que trazem de Korad forem verdadeiros. Quando ele estiver firmemente imobilizado, levem-no às grutas inferiores do quartel jeddak e o acorrentem para que fique à disposição de Tal Hajus. Não permitam que ele fale com ninguém ou que qualquer outra pessoa entre neste apartamento antes que ele chegue. Não há perigo de a garota retornar, pois a esta hora já deve estar nos braços de Tal Hajus, e que todos os seus ancestrais tenham pena dela, porque Tal Hajus não terá. A grande Sarkoja fez um ótimo trabalho esta noite. Partirei e, caso falhem em capturá-lo quando ele chegar, eu entregarei suas carcaças ao seio gélido do Iss.

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