Wednesday, 15 May 2013

Uma princesa de Marte - 10° Capítulo


Capítulo 10 - CAMPEÃO E CHEFE

No dia seguinte, logo cedo, eu já estava totalmente disposto. Uma liberdade considerável me foi concedida, uma vez que Sola me informou que, contanto que eu não tentasse deixar a cidade, estaria livre para ir e vir à vontade. Ela me advertiu, porém, sobre me aventurar desarmado, porque esta cidade, assim como todas as outras metrópoles abandonadas de civilizações marcianas antigas, era povoada pelos grandes macacos albinos do meu segundo dia de aventura. Ao me informar que eu não deveria deixar os limites da cidade, Sola havia explicado que Woola me impediria de qualquer maneira se eu tentasse, e me aconselhou em tom grave para que eu não despertasse sua natureza feroz ao ignorar seus avisos caso eu me aventurasse perto demais dos territórios proibidos. Sua natureza era tal, disse ela, que ele me traria de volta à cidade vivo ou morto se eu insistisse em desobedecer à ordem. "De preferência, morto", adicionou.
Nessa manhã eu havia escolhido uma nova rua para explorar quando de repente me encontrei nos limites da cidade. A minha frente estavam colinas baixas cravadas por ravinas estreitas e convidativas. Eu desejei explorar o campo diante de mim e, como membro da linhagem desbravadora da qual me originei, vislumbrar a paisagem que se mostraria a mim de sobre os cumes, além das colinas que agora impediam minha visão. Também me ocorreu que esta seria uma excelente oportunidade para testar as qualidades de Woola. Eu estava convencido de que o animal me amava. Eu havia visto mais evidências de afeto nele do que em qualquer outro animal marciano, homem ou fera, e estava certo de que a gratidão pelos atos que por duas vezes salvaram sua vida suplantaria sua lealdade ao dever imposto sobre ele por seus mestres cruéis e desalmados. Ao me aproximar da linha fronteiriça, Woola correu afobado à minha frente e lançou seu corpo contra minhas pernas. Sua expressão era mais um pedido do que uma ameaça. Ele não arreganhou suas presas ou articulou seus temíveis sons guturais.
Privado da amizade e do companheirismo de minha raça, desenvolvi uma considerável afeição por Woola e Sola, porque um ser humano normal precisa de uma válvula de escape para suas afeições naturais e então decidi por impulso me afeiçoar a esse grande animal, certo de que não me desapontaria. Eu nunca havia acariciado ou demonstrado afeto para com ele, mas agora estava sentado sobre o solo e, passando meus braços por seu largo pescoço, afaguei-o com paciência, falando com minha recentemente adquirida habilidade na língua marciana, como teria feito com meu cão em minha casa, como eu teria falado com qualquer outro amigo entre animais inferiores. Sua resposta à minha manifestação de carinho foi extraordinária. Ele abriu sua grande boca até o limite, desvelando a completa arcada superior de presas e enrugando seu focinho até que seus grandes olhos fossem praticamente cobertos pelas dobras de pele. Se alguma vez você viu um collie sorrindo, talvez tenha uma idéia da distorção facial de Woola. Ele se deitou de costas no chão e começou a se esfregar graciosamente aos meus pés. Levantou-se, saltou sobre mim, jogando-me ao chão sobre seu grande peso, se sacudiu e se contorceu à minha volta como um filhotinho que oferece o dorso pedindo para ser acariciado. Eu não pude resistir ao absurdo do espetáculo e me joguei para a frente e para trás na primeira gargalhada a sair de meus lábios depois de todos esses dias. A primeira, de fato, desde a manhã em que Powell partiu do acampamento com seu cavalo que, desacostumado de ser montado, pinoteou e o derrubou inesperada e diretamente sobre uma panela de feijões.
Minha gargalhada assustou Woola, fazendo-o parar suas travessuras para vir rastejando lastimosamente em minha direção, empurrando sua cabeça ameaçadora em meu colo. E então me lembrei o que uma gargalhada significava em Marte: tortura, sofrimento, morte. Aquietando-me, cocei a cabeça do pobre animal para a frente e para trás, falei com ele por alguns minutos e, então, em um tom de comando autoritário, ordenei que me seguisse. Levantando-me, parti na direção das colinas. Não houve questionamento de autoridade entre nós após isso. Woola era meu escravo fiel daquele momento em diante, e eu, seu único e indiscutível mestre. Minha caminhada às colinas durou poucos minutos, pois não encontrei nada que recompensasse meus interesses particulares. Inúmeras flores silvestres, brilhantemente coloridas e das mais estranhas formas pontilhavam as ravinas.
Do topo da primeira colina vi ainda várias outras se estendendo na distância para o norte, cada vez mais altas, um nível sobre as outras, até se perderem em montanhas de dimensões bastante respeitáveis - apesar de posteriormente eu descobrir que somente alguns poucos picos em Marte ultrapassavam mil e duzentos metros de altura. A sugestão de magnitude era meramente relativa. Minha caminhada matutina havia sido de grande importância para mim, pois havia resultado em um perfeito entendimento com Woola, sobre quem Tars Tarkas havia depositado minha salvaguarda. Agora eu sabia que, mesmo sendo teoricamente um prisioneiro, eu era virtualmente livre, e me apressei em voltar aos domínios da cidade antes que a falha de Woola pudesse ser descoberta por seus antigos donos. A aventura me fez decidir que eu não deixaria os limites da cidade que me foram impostos até que estivesse preparado para me aventurar adiante, até o fim, o que fatalmente acarretaria tanto na redução de minhas liberdades quanto no provável sacrifício de Woola, caso fôssemos descobertos.
Ao adentrar novamente à praça, tive meu terceiro relance da garota cativa. Ela estava parada com suas guardas em frente à câmara de audiência e, enquanto eu me aproximava, lançou-me um olhar arrogante e virou as costas completamente para mim. O ato foi tão próprio do sexo feminino, são terraqueamente feminino que, mesmo ferindo meu orgulho, também aqueceu meu coração com um sentimento de companheirismo. Era bom saber que alguém mais em Marte além de mim mesmo tinha instintos humanos civilizados, mesmo que a manifestação fosse tão dolorosa e mortificante. Caso uma mulher marciana verde quisesse demonstrar desprezo ou desrespeito, é muito provável que o teria feito com um golpe de espada ou com um movimento de seu dedo no gatilho. Mas já que seus sentimentos eram extremamente atrofiados, seria preciso um ferimento grave para despertar tamanha reação nelas. Sola, preciso pontuar, era uma exceção. Eu nunca a vi cometer atos cruéis ou grosseiros, ou mesmo falhar em sua natureza uniforme de gentileza e bondade. Ela era, na verdade, como seus camaradas marcianos diziam, um atavismo: uma cara e preciosa reversão a uma ancestralidade que sabia amar e receber amor. Observando que a prisioneira parecia ser o centro das atenções, parei para ver o que acontecia. Não tive de esperar muito até que Lorquas Ptomel e sua comitiva de líderes se aproximassem do edifício e, sinalizando para que as guardas os seguissem com a prisioneira, entrassem na câmara de audiência.
Ciente de que eu era uma figura protegida, e convencido de que os guerreiros não sabiam de minha proficiência em seu idioma, pois havia pedido a Sola que mantivesse segredo disso - por não querer ser forçado a falar com os homens até que houvesse dominado perfeitamente a língua marciana arrisquei entrar na câmara de audiências e acompanhar o processo. O conselho estava alojado sobre os degraus da tribuna enquanto abaixo deles ficava a prisioneira e suas duas guardas. Pude ver que uma das mulheres era Sarkoja e então deduzi como ela havia estado presente na audiência do dia anterior, o que permitiu que reportasse os acontecimentos aos ocupantes de nosso dormitório na noite passada. Sua atitude para com a cativa era rude e brutal. Quando ela a segurava, afundava suas unhas rudimentares na pele da pobre garota, ou torcia seu braço da maneira mais dolorosa. Quando era necessário mover-se de um ponto para outro, ela a sacudia grosseiramente ou a empurrava com força à sua frente. Ela parecia estar descarregando todo o ódio, crueldade, ferocidade e maldade de seus novecentos anos de vida sobre essa pobre criatura indefesa, carregando consigo incontáveis eras da violência e da brutalidade de seus ancestrais. A outra mulher era menos cruel pelo fato de ser totalmente indiferente. Se a prisioneira fosse confiada exclusivamente a ela - e felizmente era, durante a noite não receberia tratamento rude ou, seguindo o mesmo raciocínio, sequer teria recebido qualquer tipo de atenção.
Quando Lorquas Ptomel levantou seus olhos para fitar a prisioneira, eles recaíram sobre mim. Ele voltou-se para Tars Tarkas proferindo uma palavra e um gesto de impaciência. Tars Tarkas lhe deu algum tipo de resposta que não pude assimilar, mas que fez Lorquas Ptomel sorrir e não prestar mais atenção em mim.
Qual é o seu nome? - perguntou Lorquas Ptomel à prisioneira.
Dejah Thoris, filha de Mors Kajak de Helium.
Qual é a natureza de sua expedição? - ele continuou.
Éramos um grupo composto exclusivamente por pesquisadores científicos enviados pelo pai de meu pai, o jeddak de Helium, para remapear as correntes de ar e para fazer testes de densidade atmosférica - respondeu a prisioneira em um tom de voz equilibrado e baixo. Estávamos despreparados para a batalha - ela continuou - porque viajávamos em uma missão pacífica, conforme indicavam as bandeiras e cores de nossas naves. O trabalho que fazíamos era tanto de seu interesse quanto do nosso, uma vez que é sabido que não fossem nossos esforços e os frutos de nossas operações científicas não haveria ar ou água suficientes em Marte para comportar uma vida humana sequer. Por gerações temos mantido o suprimento de ar e água praticamente constante sem maiores perdas. E temos feito isso mesmo diante da interferência brutal e ignóbil de seus homens verdes. Por que, diga-me, não podem aprender a viver em harmonia com seus iguais em vez de continuar no caminho da extinção, sempre um degrau acima das feras que os servem? Um povo sem idioma escrito, sem arte, sem lares, sem amor, vítima de milênios de um terrível ideal de comunidade? Possuir tudo em comum, até mesmo mulheres e crianças, resultou em possuir absolutamente nada em comum. Vocês se odeiam uns aos outros assim como odeiam tudo o mais além de vocês próprios. Voltem ao modo de vida de nossos ancestrais comuns, voltem à luz da gentileza e da camaradagem. O caminho está aberto diante de vocês, onde encontrarão as mãos dos homens vermelhos estendidas para ajudá-los. Juntos, podemos fazer ainda mais para recuperar nosso planeta moribundo. A neta do maior e mais poderoso dos jeddaks vermelhos lhes pergunta: vocês virão? Lorquas Ptomel e seus guerreiros permaneceram sentados em silêncio, olhando seriamente por vários segundos para a jovem mulher depois que ela concluiu sua fala.
O que se passava em suas mentes, nenhum homem poderia dizer, mas acredito piamente que haviam sido tocados e que se ao menos um dentre eles fosse forte o bastante para se colocar acima dos costumes, aquele momento teria marcado uma nova e importante era para Marte.
Eu vi Tars Tarkas levantar-se para falar e, em sua face, havia expressões que eu nunca tinha visto no semblante de outro guerreiro verde marciano. Elas denunciavam uma grande batalha interior contra si mesmo, contra sua hereditariedade, contra os antigos costumes. Quando abriu sua boca para falar, um toque quase bondoso, quase afável, acendeu momentaneamente seu rosto feroz e terrível. As palavras que estavam fadadas a sair por seus lábios nunca foram proferidas porque, no exato momento, um jovem guerreiro, evidentemente pressentindo o rumo dos pensamentos entre os mais velhos, saltou dos degraus da tribuna e, acertando a frágil cativa com um golpe na face - que a derrubou ao chão -, colocou seu pé sobre sua forma prostrada. Voltando-se para o conselho reunido, disparou uma horrenda e melancólica gargalhada. Por um instante pensei que Tars Tarkas o fulminaria. O aspecto de Lorquas Ptomel também não se anunciava muito favorável ao bruto, mas a tensão passou, suas antigas personalidades reafirmaram sua ascendência e todos sorriram. Foi um augúrio, porém, o fato de que não gargalharam sonoramente, porque o ato do bruto constituía uma ação espirituosa e engraçada de acordo com a ética que regia o humor verde marciano. O fato de eu ter levado algum tempo para descrever uma parte do que ocorreu depois que o golpe foi desferido não significa que permaneci inativo todo esse tempo. Acredito que pressenti algo do que estava por vir, porque percebi que eu estava agachado, pronto para saltar, enquanto o golpe estava a caminho de sua face bela e suplicante a olhar para cima. Antes que a mão recaísse sobre ela, eu já havia percorrido metade do salão.
Mal a perturbadora risada do guerreiro havia ecoado pela primeira vez, eu já estava sobre ele. O bruto tinha
três metros e meio de altura e estava armado até os dentes, mas acredito que eu podia ter dado cabo de todos naquela sala, dada a terrível intensidade de minha raiva. Saltando adiante, eu o atingi em cheio no rosto enquanto se virava na direção de meu grito de aviso. Enquanto ele sacava sua espada curta, saquei a minha e me abati novamente sobre seu peito, enganchei uma perna sobre a coronha de sua pistola e segurei uma de suas grandes presas com minha mão esquerda enquanto desferia golpe após golpe sobre sua enorme caixa torácica.
Ele não podia usar a espada curta em seu favor porque eu estava próximo demais. Também não podia sacar sua pistola, coisa que tentou fazer em oposição direta a um costume marciano que diz que não se pode duelar com um guerreiro semelhante com outra arma que não seja a mesma com a qual foi atacado. Na verdade, ele não podia ir além de uma desesperada e inútil tentativa de se livrar de mim. Com todo o seu imenso corpanzil, ele era pouco mais forte do que eu e não demoraria um segundo ou dois até que ele sucumbisse, sangrando e sem vida no chão. Dejah Thoris havia se levantado sobre um cotovelo e observava a batalha com os olhos arregalados e surpresos.
Quando consegui ficar em pé, peguei-a em meus braços e a carreguei até um dos bancos na lateral da sala. Desta vez, nenhum marciano se interpôs a mim e, rasgando um pedaço de seda de minha capa, tentei estancar o fluxo de sangue que saía de seu nariz. Minha atitude foi bem-sucedida, uma vez que seus ferimentos não passavam muito de um sangramento nasal comum e, quando ela pôde falar, pousou sua mão sobre o meu braço e, olhando-me nos olhos, disse:
Por que você fez isso? Você, que se recusou até mesmo a uma aproximação amigável quando precisei da primeira vez! E agora arrisca sua vida e assassina um de seus companheiros por minha causa. Não consigo entender. Que homem de modos estranhos é você, que se associa com homens verdes embora sua forma seja a mesma de minha raça, enquanto sua cor é pouca coisa mais escura que a dos macacos albinos? Diga-me se é humano ou se é mais que humano.
É uma história estranha - respondi. - Longa demais para contá-la agora e também da qual eu mesmo tenho tantas dúvidas que temo que outros não acreditarão nela. Basta dizer, por enquanto, que sou seu amigo e, enquanto nossos captores permitirem, também seu protetor e servo.
Então você também é um prisioneiro? Mas por que, então, usa essas armas e vestes de um chefe tharkiano? Qual o seu nome? Qual o seu país?
Sim, Dejah Thoris, sou um prisioneiro. Meu nome é John Carter e chamo a Virgínia, dos Estados Unidos da América, Terra, de meu lar. Mas o motivo de me permitirem usar armas eu não sei, nem estava ciente de que minha regalia era a mesma dos chefes. Fomos interrompidos nesse momento pela aproximação de um dos guerreiros que carregava armas, equipamentos e ornamentos.
Em um lampejo, uma de suas questões foi respondida e me foi esclarecido um enigma. Vi que o corpo de meu antagonista morto havia sido despido e percebi, pela atitude ameaçadora, porém respeitosa, daquele que me trazia esses espólios a mesma deferência mostrada pelo guerreiro que me trouxera o equipamento original. Agora, pela primeira vez, percebia que meu golpe, na ocasião do primeiro embate na câmara de audiência, havia resultado na morte posterior do adversário. A razão para essa atitude demonstrada para comigo agora me era aparente. Eu havia ganhado minhas esporas, por assim dizer, por meio da justiça cruel que sempre marca as negociações entre os marcianos e que, entre outras coisas, me fez chamar este lugar de "planeta dos paradoxos". Concederam-me as honras de um conquistador, os equipamentos e a posição do homem que eu havia assassinado. Na verdade, eu era um líder marciano e, depois aprendi, era a causa de minha grande liberdade e tolerância na câmara de audiência.
Ao me voltar para receber os bens do guerreiro morto, notei que Tars Tarkas e vários outros haviam se deslocado em nossa direção e que os olhos do primeiro repousavam sobre mim de maneira inquiridora. Finalmente, dirigiu-se a mim:
-Você fala a língua de Barsoom com perfeição para alguém que, há poucos dias, era surdo e mudo para nós. Onde a aprendeu, John Carter?
-Você mesmo foi o responsável, Tars Tarkas - respondi ao me fornecer uma instrutora de habilidade admirável. Devo agradecer a Sola o meu aprendizado.
Ela trabalhou bem - ele respondeu, mas sua educação em outras instâncias precisa de considerável aprimoramento. Você sabe o que sua ousadia inaudita teria lhe custado caso não tivesse matado algum dos dois líderes cujo metal você veste agora?
Presumo que aquele que eu tivesse falhado em matar teria me matado - respondi sorrindo.
Não, você está errado. Somente na mais extrema legítima defesa um guerreiro marciano mataria um prisioneiro. Gostamos de guardá-los para outros propósitos - e sua face evidenciou possibilidades que não eram aprazíveis de se supor.
Mas há algo que pode salvá-lo agora - ele continuou. - Em reconhecimento ao seu notável valor, agressividade e destreza, você poderia ser considerado por Tal Hajus tão honrado a ponto de ser integrado à comunidade e tornarse um tharkiano completo. Até chegarmos ao quartel-general de Tal Hajus, é o desejo de Lorquas Ptomel que você seja tratado com o respeito devido aos seus atos. Você será tratado por nós como um líder tharkiano, mas não deve se esquecer de que todo chefe superior a você tem como responsabilidade entregá-lo em segurança a nosso poderoso e cruel soberano. Tenho dito.
- Entendido, Tars Tarkas - respondi. - Como sabe, não sou de Barsoom, seus costumes não são como os meus e somente posso agir no futuro como agi no passado, de acordo com o que dita minha consciência e pelo que dizem os padrões do meu povo. Se você me libertar, irei em paz. Caso contrário, que os indivíduos barsoomianos com os quais terei de conviver respeitem meus direitos de estrangeiro entre seu povo, ou que sofram as conseqüências que se seguirão. E deixemos claro que quaisquer que sejam suas intenções para com esta desafortunada jovem, aquele que tentar machucá- la ou insultá-la no futuro deve saber que terá de prestar contas a mim. Entendo que menosprezem todos os sentimentos de generosidade e gentileza, mas não eu. E poderei convencer seus mais bravos guerreiros de que essas características não são incompatíveis com a habilidade de lutar.
Normalmente não sou dado a longos discursos, e nunca antes utilizei tal ênfase, mas confiei que essa oratória encontraria eco nos peitos dos marcianos verdes. E não me enganei, pois minha prolixidade evidentemente tocou-os a fundo, tornando, posteriormente, sua atitude para comigo alvo de ainda mais respeito. O próprio Tars Tarkas pareceu satisfeito com minha resposta, mas seu único comentário foi algo mais ou menos enigmático: - E eu acho que conheço Tal Hajus, jeddak de Thark. Eu agora havia desviado minha atenção para Dejah Thoris e a auxiliava a se manter em pé enquanto a guiava para a saída, ignorando as harpias guardiãs planando em volta, assim como os olhares curiosos dos líderes. Afinal, eu agora também era um líder! E, bem, agora assumiria as responsabilidades cabíveis. Eles não nos incomodaram e, assim, Dejah Thoris, princesa de Helium, e John Carter, cavaleiro da Virgínia, seguidos pelo fiel Woola, passaram pelo completo silêncio da câmara de audiência de Lorquas Ptomel, jed entre os tharks de Barsoom.

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